A mulher que morreu de pé (2025)
Um filme de Rosa Coutinho Cabral
Há dois domingos atrás, no dia 14 de setembro tive a oportunidade de assistir a uma sessão especial deste ensaio cinematográfico, com a presença da realizadora e dos atores Alexandra Sargento e Hugo Mestre Amaro.
“A mulher que morreu de pé”, tal como a personalidade que homenageia, não obedece às regras do que é quotidiano no cinema. Pelo contrário, a Rosa desconstrói o filme tradicional, intercalando a representação em tela, com a reflexão documental e o teatro em palco. Como espectadora, adorei poder fazer esta viagem à vida da Natália por estas lentes. Apesar de a princípio a falta de estrutura óbvia me parecer confusa, rapidamente me adaptei ao ritmo dessincronizado que o filme propõe. Porém, quem não conhece a Natália não sai daqui a conhecer, mas esse não é, nem nunca foi, o objetivo do projeto - o que se tira daqui é a pluralidade do indivíduo, a diferença entre o que somos, e como cada pessoa que nos rodeia nos perceciona, e como todas as essas coisas são distintas por natureza.

Quando questionada sobre qual seria a opinião de Natália ao ver este filme, a realizadora não sabe responder - visto que não podemos falar pelos mortos, não é? - contudo, afirma que pensa que Natália iria gostar do fim do filme, onde é enterrada na sua ilha-mãe, algo que não lhe foi possível em realidade, mas que, através da ficção, a Rosa lhe consegue carinhosamente proporcionar. Este filme lê-se como um poema: o sentido de cada verso muda com a entoação de quem lê e com o ouvido de quem ouve, mas, tal como a Natália, não deixa de ter mais ou menos alma pela importância que se lhe dá.
Título: A mulher que morreu de pé
Realizadora: Rosa Coutinho Cabral
Classificação: 3.5/5
Onde vi: Casa do Cinema de Coimbra